Figueira x Joinville: Que dureza, amigo!
Depois de Águas Mornas, um banho de água fria!
Analisando as performances dos jogadores alvinegros vemos que os mesmo que se destacaram na primeira partida se destacaram nesta também, tanto positiva quanto negativamente. A zaga alvinegra continua não se entendendo, e sofreu dois gols por falha de posicionamento nas bolas paradas. No primeiro, sobrou o zagueiro Marcelo para concluir sozinho na cara de Wilson. No segundo, após uma bicicleta (Barra-Forte, mas ainda sim bicicleta) de Viola, a bola caiu nos pés do zagueiro Chris, também sozinho no meio da nossa área, para concluir e marcar o gol da vitória do Brusque. Nosso principal problema, considero eu, é o meio campo. Totalmente inoperante na ligação com o ataque, e lento demais na cobertura dos laterais. Jeovânio não tem mais o vigor físico de outrora, e Coutinho, como já havia dito, não é jogador para ser titular do Mais Vezes Campeão do Estado. Já o nosso trio “criativo” continua deixando a desejar. Marquinho e Ernani são jogadores para compor o elenco. Creio eu que o Titio René “Tuiteiro” Weber está mantendo esta formação apenas em quanto Fernandes e Ada estão indisponíveis. Maicon continua fazendo bons jogos, mas sozinho não pode resolver. Júnior Negrão isolado no ataque continua fazendo o que pode, mas acredito que é sobrecarregado. Precisa de um parceiro, e logo.
Em duas partidas deu para perceber que o Figueira não se adaptou ao 4-5-1. Pelo menos não com estes 11 jogadores iniciando a partida. Para manter tal esquema o Figueira precisa ter dois volantes mais rápidos, que consigam fazer a cobertura dos nosso laterais. Tanto Lucas quanto João Paulo são muito mais ofensivos que defensivos. E os adversários já entenderam que o negócio é jogar nos buracos deixados nas laterais. Com Jeovânio e Coutinho plantados no meio campo, Roger Carvalho e João Filipe tem que fazer a cobertura, e com isso, abre o miolo da zaga.
O remédio para manter esta formação seria a entrada de Diego Paulista no lugar de Coutinho, para dar mais rapidez à parte defensiva de nosso meio campo. Jeovânio atuaria como um terceiro zagueiro mascarado, pois só faria esta função quando o Figueira estiver defendendo, e Diego Paulista fecharia a cobertura ao avanço dos nossos laterais. Isso possibilitaria à Lucas e João Paulo atuarem quase como alas, auxiliando a criação das jogadas. Nossos dois “wingers”, Marquinho e Ernani, tem que jogar mais adiantados, como dois pontas de antigamente, servindo o nosso centroavante na área. Maicon fica um pouco mais recuado, para fazer a ligação e arriscando de fora da área. E Junior Negrão centralizaria mais, atuando enfiado, no meio dos zagueiros adversário e se valendo dos espaços deixados por estes quando forem fazer a cobertura dos pontas.
Ainda assim, eu prefiro o retorno do 4-4-2 ou ainda um 3-5-2 com Jeovânio fazendo o papel de líbero, quase que um Lothar Mathäus afrodescendente, auxiliando tanto na defesa quanto na saída de bola, papel que ele fez muito bem num dos poucos jogos que ele participou na Série B de 2009.
E você, concorda com o 4-5-1? Prefere o 4-4-2? Acha que o melhor é o 3-5-2? Ou tem ainda outra formação na manga? Deixe sua opinião!
Adeus ou até logo?
Como a muito já se especulava, o casamento acabou. Não estamos falando de nenhum casal global, muito menos “holywoodiano”, e sim do mais vitorioso casamento esportivo de Santa Catarina. Figueirense Futebol Clube e Figueirense Participações Sociedade Anônima. Nomes que durante 11 anos significaram a mesma coisa, vitória.
O FFC deve muito a FPSA, assim como a FPSA deve muito ao FFC. Foi uma parceria que rendeu frutos para ambas as partes, e, pela história construída em conjunto, deveria acabar de forma serena e natural. Infelizmente, não é este cenário que avistamos no momento.
Depois de ser insultado pela proposta de alteração de contrato feita pela FPSA, o Conselho Deliberativo (CD) do Figueira acabou decidindo, por ampla maioria, o rompimento da parceria. Paulo Prisco Paraíso, o PPP, ainda tentou consertar enviando uma carta de retratação. Contudo, além de tardia, a carta surtiu pouco efeito para os Conselheiros já “mordidos” pela citada alteração.
O presidente do CD, Nestor Lodetti, afirmou que a parceria durará somente até o dia 21 de março, ou seja, pouco mais de 2 meses. Deixou aberta ainda a possibilidade da FPSA voltar ao futebol alvinegro, não como gestora, mas como investidora. Do outro lado, PPP afirmou que o contrato FFC – FPSA duraria até 2024, e como toda divergência contratual, deverá ser decidida judicialmente. Ou seja, isso vai dar côsa!
Neste final de semana houve um encontro entre Nestor Lodetti, ladeado por uma comissão composta por membros do CD, Fabio Koff (Clube dos 13), Marco Aurélio Teixeira (CBF), Renan Dal Zotto (CIMED), Wilfredo Brillinger (PROSUL) e Edson Silva (NEXXERA). Tal encontro aumenta a especulação que o futuro do futebol alvinegro possa ser decidido por um pool de empresas catarinense, que cuidariam da injeção de recursos em troca de propaganda e porcentagem em vendas de jogadores. Fica a dúvida aqui se esse pool apenas investiria e o FFC compra o passe ou eles mesmos compram e apenas repassem ao alvinegro, mais ou menos como Grupo Sendas.
No campo das especulações fala-se também nos nomes de Marco Aurélio Cunha (ex-Figueira, Azulinos e atual Bambi de plantão), Traffic e, pasmem, LA Sports. Negócios são negócios, claro. Mas tudo tem limite. Ter como parceiro a mesma empresa que banca os jogadores do maior rival é, no mínimo, uma piada de muito mal gosto.
No campo dos “achismos” eu vejo a mudança como salutar. A parceria, embora vitoriosa, estava se desgastando. Pela total apatia do CD, que durante 10 anos fez papel meramente figurativo, a FPSA ficou na linha de frente para o torcedor. Quando as derrotas começaram a surgir, a torcida já tinha o seu alvo, e, blindado pela ausência de perseguição da torcida, o CD começou a agir. Não acredito em culpados. Acredito que a parceria seguiu o curso natural da vida. A parceria nasceu, deu frutos, e agora moribunda, aguarda o último suspiro para sucumbir de vez.
Vale também a leitura dos ótimos blogs do Tainha e do Meu Figueira, que dão a explanação para todo alvinegro compreender o que se passa.
O que vale são os três pontos!
E o Figueira estreou em 2010. Não foi uma estréia de encher os olhos, mas deu pro gasto. O jogo contra o CFZ-Imbituba consolidou algumas certezas e lançou outras tantas incógnitas.
Lucas é o dono da lateral direita, assim como João Paulo veio para ser o “papa” da esquerda. Incógnitas são os seus suplentes, pois ninguém sabe, ninguém viu. Lucas manteve o nível das suas atuações, sendo importantíssimo no contra-ataque alvinegro. Já o futebol de João Paulo foi de gala. Ótimos passes, dribles curtos e precisos, sólido na parte defensiva (embora ainda tenhamos buracos na marcação pela agressividade de nossos laterais, que deveriam ser cobertos pelos nossos volantes) e, para fechar com chave de ouro a sua estréia, um golaço de falta, como a muito não se via no Scarpelli. Encontramos o nosso homem das bolas paradas.
Nossa zaga, embora alta, técnica e muito rápida, mostrou-se muito mal posicionada no início do jogo. Aos poucos Roger Carvalho e João Filipe foram se entendendo e melhorou, mas só um pouco. Acredito que os dois tenham características muito parecidas, e talvez precisemos de um zagueiro mais plantado, com um estilo mais “xerife” de ser. E dizem que Cattaneo é o homem.
Já no meio-campo, área mais preocupante neste momento, muitas dúvidas povoam a cabeça do torcedor alvinegro que viu a partida. Eu tive uma certeza, esse não pode ser o meio-campo alvinegro se almejamos o título catarinense e o acesso à Série A. Coutinho e Jeovânio se mostraram desentrosados. Normal, é início de temporada, mas já deu pra perceber que Diego Paulista tem espaço nesse time. Mesmo se mostrando voluntarioso, Coutinho está abaixo e acredito que Diego Paulista pode desempenhar melhor esta função. Jeovânio estava visivelmente sem ritmo, e em alguns momentos, perdido em campo. Claro que é início de temporada, mas a idade do nosso guerreiro não ajuda e, talvez, seja necessário um tratamento especial ao condicionamento físico dele nos treinamentos.
Continuando o assunto “meio-campo”, falemos do trio ofensivo, formado por Ernani, Maicon e Marquinho. Ernani atuou pelo lado direito e foi ofuscado pela boa partida realizada por Lucas. Mostrou certa velocidade e um bom toque de bola, me surpreendeu positivamente, mas ainda acredito que seu lugar é o banco. Maicon foi o melhor dos três, mostrando objetividade e chamando a responsabilidade na criação das jogadas, cresceu muito no segundo tempo. Marquinho atendeu as expectativas. Tem habilidade e velocidade, mas falta-lhe inteligência e criatividade.
Por fim o ataque. Júnior Negrão, ou Negão, ou ainda Gleidi, jogou sozinho durante grande parte do jogo. Mostrou a habitual velocidade e foi bem. Contudo, dois pontos negativos me chamaram atenção. Primeiro o posicionamento, pois ele insistia em se manter em posição de impedimento. Segundo a facilidade para perder gols, fato este que em certo momento me fez soltar um “Porra Tadeu”. Mesmo assim, o que dizer de alguém que marca dois gols em sua estréia? Foi boa e convincente.
A Nova Cara do Alvinegro
Como de praxe muitas caras novas chegaram ao Figueirense nesta temporada. Eu, sinceramente, não me recordo de uma equipe alvinegra que tenha sido igual em dois anos seguidos.
Mas não adianta chorar até porque nesta temporada a mudança é salutar, afinal, com aquela cambada de “come-dorme” e “serenos” do último ano não iríamos a lugar algum (para ser justo, não incluo todos que saíram nesta lista, ta bom Schwenck?).
O Figueira deve estrear jogando num 4-5-1 ofensivo, com dois alas que apóiam bastante, dois volantes para fazer a cobertura, e três meias que farão a ligação e também ajudarão no ataque. Uma formação que me agrada, haja vista a carência de um homem de referência no ataque.
Vamos analisar as novas caras presentes entre os titulares que estão sendo vinculados na imprensa: Wilson; Lucas, Roger Carvalho, João Felipe e João Paulo; Jeovânio, Coutinho, Ernane, Maicon e Marquinho; Júnior Negrão. Técnico: Renê Weber
Abrir para não fechar - Parte II
Esse post é uma continuação, veja a primeira parte clicando aqui.
Como se tornar um Sócio do Figueirense Futebol Clube? Eu digo Sócio, assim, com S maiúsculo, não um Cessionário de Cadeira (nome que aparece na “carteirinha”). Quem são os Sócios do Figueirense Futebol Clube? Quem são os Conselheiros do Figueirense Futebol Clube? Eu não tenho essas respostas, e aposto que muita gente também não as tem. Aliás, você sabia que o Conselho Deliberativo do Figueirense é composto por 100 (Cem) Conselheiros efetivos e 50 (cinqüenta) suplentes? É muito “conselho” para pouca ação. São estes 150 iluminados que decidem o futuro do clube de maior torcida e o mais vezes campeão do estado de Santa Catarina (chupa berbigonetes!). Mas quando algo dá errado, só podemos xingar alguns poucos, já gastos e usados, como Baré, D´Ivanenko, Lages e Prisco, todos ligados à FPSA. Para o Figueirense abrir seu capital ao investimento externo, terá que abrir também a sua entrincheirada estrutura político-administrativa. Afinal, você colocaria o seu dinheiro em algo que não lhe parece razoavelmente claro? Ninguém em sã consciência faria.
Mas você pode perguntar: abrindo o capital, o Figueirense pode perder a identidade com o torcedor, não pode? Eu lhe respondo com outra pergunta. Você se sente parte do Figueirense Futebol Clube? Eu não me sinto. Cada vez que vejo um jogador execrado pela torcida entrando em campo por interesses ao objetivo de ganhar uma partida, eu me sinto extremamente desrespeitado. Cada vez que passa uma propaganda do clube na televisão, feita com doses exageradas de mau-gosto e falta de senso crítico, e uma ausência total de uma campanha de relacionamento e fidelização do torcedor, eu me sinto envergonhado. Hoje, ganhar dinheiro para o Figueirense passa única e exclusivamente por revelar e vender jogadores, e não angariar novos torcedores, investir no seu público e ganhar títulos. Pode perguntar a qualquer sócio de uma quota de quaisquer dos times citados no terceiro parágrafo se ele não se sente parte do seu clube. E eu lhes digo sócio de UMA quota, no universo de milhões. Seu poder de decisão sozinho é irrisório, mas ele é parte do clube.
Por isso eu peço, mais do que transparência no contrato com a nova parceira, transparência na administração do Figueirense, com a abertura do capital e possibilidade de ingresso nos quadros societários do Figueirense Futebol Clube. Eu quero ser sócio do meu time, e você?
Abrir para não fechar - Parte I
O Figueirense passa por um momento emblemático na sua história. Depois de um período áureo, onde não via ninguém à sua frente no estado (diga-se de passagem, nem mesmo ao seu lado) e estava no topo da cadeia alimentar futebolística, chega a hora das “vacas magras”. Potencializada pelo sucesso do arqui-rival, a crise tomou conta do Scarpelli. E a solução, ao meu ver, seria abrir para não fechar.
É tendência mundial desde o início dos anos 90: clube bem administrado, vencedor e com dinheiro em caixa é aquele que coloca suas ações na bolsa e se abre aos investidores externos. Foi assim com Manchester United, Real Madrid, Milan, Liverpool, Arsenal, Chelsea e, mais recentemente, Manchester City. Formaram times vencedores e aumentaram significativamente o número de torcedores e, como numa progressão geométrica, o seu capital.
Sei que essa tendência não chegou ao Brasil. Sei que falta muito para que algum clube possa tomar este caminho, mas alguém tem que começar. E por que não o Figueirense? Num momento de transição e de crise, a mudança serve, no mínimo, para movimentar a torcida. Por que investir, mais uma vez, numa parceria com empresas de agentes de jogadores, quando se está mais do que provado que quem realmente ganha com isso não é o clube. Claro, há um relativo sucesso, mas o clube se torna refém da empresa, e quando ela sai, geralmente deixa a terra devastada, casos do Palmeiras rebaixado em 2002 e Corinthians rebaixado em 2007.
Analisemos então o Figueirense, que desde 1999 foi sempre exaltado como um modelo de gestão à ser seguido. Clube de pequeno à médio porte, com contas em dia, caixa fechando no “verde” (azul não vale!), títulos e hegemonia no futebol catarinense. Tudo andava às mil maravilhas até 2008, ano do rebaixamento.
Hoje, como por um milagre, a gestão alvinegra passou a ser execrada publicamente. Muito se fala na saída da Figueirense Participações Sociedade Anônima - FPSA, da Brazil Soccer e, mais especificamente, das pessoas de Paulo Prisco Paraíso, José Carlos Lages e Eduardo Uran.
Para clarificar as coisas, cumpre-me ressaltar que sim, a gestão do Figueirense pode ser considerada como modelo, se comparada com o nível do futebol brasileiro. Pelo simples fato de conseguir manter suas contas em dia. Ponto final. Agora, se compararmos com o que deveria ser um modelo de Gestão Profissional de Futebol, estamos anos-luz em atraso.
A volta dos que não foram!
Depois de abandonado, o Boteco tá abrindo as portas novamente. Sempre falando do Figueirense, aliando o típico bom humor manezinho à seriedade e zelo que o nosso Furacão Alvinegro merece. Sintam-se à vontade, vista o manto, abra sua Liber e puxe seu Espetinho de Gato, pois o Boteco é seu também.