Uma luz no fim do túnel

"Não há bem que sempre dure, nem mal que se perdure". Frase de um alvinegro anônimo, que, utilizando-se de seus poderes alvinegrísticos combinado com uma astúcia e sagacidade de dar inveja à Nostradamus, preveu que quando o Figueirense enfrenta o Avaí, as nuvens se dissipam e o sol volta a brilhar no Monumental do Estreito. E esse sol atende pelo nome de William, com certeza o astro que mais brilhou neste Clássico. E que jogo. Foi de arrepiar. Meus parabéns ao co-irmão, que foi um adversário valente e abrilhantou a recuperação do bom futebol alvinegro, pelo menos no primeiro tempo. E que primeiro tempo. Lucas jogou muito bem ofensivamente. Bilú e Coutinho formaram uma bela dupla, criando jogadas alvinegras e destruindo as azulinas com a mesma competência. Maicon, fez seu papel, segurando a bola, distribuindo passes precisos, e pasmem, correndo e marcando muito! Júnior Negão fazia o pivô, e William se movimentava pelos flancos, atormentando a defesa do time da camisa feiona. Foram dois golaços, o primeiro de voleio e o segundo dando uma meia-lua no Zé "Do Frango" Carlos, pra mim um dos piores goleiros desse Catarinão. Foram pouco mais de 45 minutos que serviram de acalento para a massa alvinegra que compareceu ao Estádio mais bonito de Santa Catarina.

Corroborando com a frase que abriu o texto, o Figueira voltou fora do ar pro segundo tempo. Wilson, nosso capitão, deve ter dito pro Márcio Goiano a célebre frase: "Houston, we have a problem!". Júnior Negão saiu contundido no finalzinho do primeiro tempo, dando lugar à Martin, que só entrou no começo do segundo. Não quero queimar o gringuinho da base, mas foi uma péssima estréia. O Figueira precisava de alguém que segurasse a bola, e o jovencito não conseguiu cumprir a tarefa. Salva-se pois todo o time caiu muito de produção, levando este blogueiro a acreditar que há algo de podre no preparo físico alvinegro. Ainda no início do segundo tempo, foi a vez de Lucas receber uma entrada criminosa por trás e ter de sair de campo. Entrou, ao meu ver, a maior decepção do ano no Alvinegro, Diego Paulista. Maior decepção pois os reforços que não deram certo já eram marcados. São ruins mesmo e dalí não se podia esperar nada. Mas Diego Paulista, por tudo o que mostrou no ano passado, vem me desapontando profundamente. Afobado, atrasado, nervoso e, ontem, fez a segunda penalidade seguida nos minutos finais de um jogo no Scarpelli com o Figueira vencendo e que acabou cedendo o empate ao adversário. O primeiro, que já levantou a orelha de muito alvinegro, foi contra o Ibirama e até dava para perdoar. Mas esse, contra o Avaí, num momento que o Figueira se segurava com todas as forças, ganhando de 2x1, em casa, se recuperando, e ele faz um troço desses? Vai ser difícil algum alvinegro ainda pedir ele no time. Ainda mais com a bela atuação de Coutinho, principalmente no primeiro tempo, onde lutou como um guerreiro na meiuca alvinegra.

Enfim, o empate foi sofrido mas, dos males o menor, o Figueira dominou o primeiro tempo e mostrou que há esperança para 2010. Márcio Goiano, em sua primeira partida como técnico, mostrou como se porta um técnico alvinegro. Vibrou, gritou, sofreu e quase quebrou a casamata, dando murros quando algo não saia do jeito certo. Além de mostrar pro jogador que tem alguém ali avaliando a performance e que esse alguém tá com os "ovo" virado, mostra pra torcida que há vida na beira do campo alvinegro. Para quem estava acostumado com um espantalho gaúcho que ficava segurando o queixo, foi uma bela mudança. Contudo, para não falar que eu só falei coisas boas, o time cansou muito. Alô Márcio Goiano, nosso eterno capita, dá uns berros ai com o preparador físico, pq a "cosa" ta medonha!

PS1: Alguém entendeu a festa dos azulinos em comemoração ao empate? Não era o time de primeira que iria brincar no Scarpelli?
PS2: Cheguei às redondezas do Scarpellão por volta das 18:30, sem fila, tomei minha gelada, comi meu espetinho, ouvi a batucada da Coloninha, ví um belíssimo jogo de futebol, sai do jogo e, em poucos minutos, estava em casa. Imagina se o jogo fosse no mangue, eu ia estar escrevendo a coluna da fila.

Ovelha no dos outros é refresco!!!

Depois de um início pífio a Diretoria Alvinegra (nem sei mais se da FPSA ou se do FFC) decidiu reagir e anunciou duas boas notícias para o sofrido torcedor alvinegro: a primeira é a vinda do Marcelo Nicácio, artilheiro da Série B do ano passado junto com Elton e Rafael Coelho; a segunda é que acabou a farra do Titio Tuiteiro. Renê Weber, que Deus o tenha, não é mais técnico alvinegro. Aliás, quem falou pra esse iluminado que ele era técnico? Deve ser o mesmo que falou pro Marquinho e pro Ernani que eles eram craques.

Bom, deixemos os podres de lado e falemos dos prováveis nomes para assumir o Figueirense. Hélio dos Anjos vem sendo especulado com muita força. É um nome gabaritado, com um extenso currículo e vindo de um trabalho regular no Goiás, mas que sofreu com um início péssimo no Goianão deste ano e caiu. Diga-se de passagem, o ex-goleiro Hélio deixou o Goiás na lanterna do campeonato, fato que pode deixar o torcedor de cabelo em pé. Vale lembrar também que há alguns treinadores livres, esperando um time pra treinar, casos de Estevam Soares e, infelizmente, Mário Sérgio. Não duvido que este último seja ressucitado pela Diretoria Alvinegra, o que, para a grande maioria dos torcedores alvinegros com memória, seria um desastre.

Entre os nomes menos badalados, dois ganham espaço: Mauro Ovelha, da Chapecoense, e Gelson Silva, do Atlético Ibirama. Sou terminante e irredutívelmente contra o nome de ambos. Não que sejam de todo ruim, longe disso, mas são treinadores de clube pequeno. Uma coisa é treinar um clube com meia dúzia de torcedores e com um elenco reduzido que joga futebol para sobreviver, geralmente com uma folha salarial que não paga o salário do Wilson. Outra é treinar um clube com a maior torcida do Estado, passando por um turbilhão de mudanças internas, com jogadores rodados, um elenco inchado e, para o panorama catarinense, caro.

Precisamos de um nome de pulso. Um técnico que venha e imponha respeito, não só aos jogadores, mas também à Diretoria e aos torcedores. Um nome que passe confiança e espante um pouco a nuvem de crise que teima em pairar sobre o Gigante do Scarpellão, também conhecido como Monumental do Estreito. E, tanto Mauro Ovelha como Gelson Silva, no momento seriam apostas. Eu lhes digo, eu estou cansado de apostas. O Figueirense não é tubo de ensaio. Eu quero é realidade. Não precisamos de um técnico que saiba montar um time "roupa de quermesse", que joga bonitinho em casa e toma biaba toda vez que pega o "onx" sentido interior. Precisamos de um treinador experiente, com "know-how" atestado e carimbado pela história futebolística e que resgate a "alvinegrísse" necessária para este elenco dar a volta por cima. Porque nos daremos a volta por cima, nem que seja na marra e no grito da torcida.

Glossário do Bottós: Time Roupa de Quermesse: É aquele time que tem 11 jogadores que se entendem e jogam bonitinho, mas se um se machuca ou é suspenso a casa cai, porque não tem peça de reposição. Típico estilo de Chapecoense, Ibirama, Metropolitano, Joinville...
Onx: Veículo de transporte, geralmente pertencente ao Sistema Público de Transporte, que leva o manezinho da vila pro centro e vice-versa.
Know-How: Do Inglês, saber fazer! É jogar o jogo como se deve. Ter a manha. Dominar a mandinga. Fazer o "meia-lua pra frente, xis e bolinha".
Alvinegrisse: Sentimento intrínseco pertencente a todo torcedor alvinegro, que nos faz sair de casa numa quinta chuvosa pra assistir Figueirense x Ibirama e torcer por um gol do Douglas como titular do Figueirense. Seria, mais ou menos, como um Ki. Algo que nos permite realizar tais loucuras citadas. Coisa para homem com H.